06/03/2009

A interrupção da vida pode ser considerada pecado quando há outra em jogo?

A Igreja Católica como instituição defensora das Leis de Deus, vê claramente no aborto uma afronta à vida, como chegou o papa João Paulo II a dizer: “Por acaso o mandamento ‘não matarás’ prevê alguma exceção?”. Porém, há casos que a meu ver (e de muitos), tal mandamento mereceria uma relevância. Como dizem, toda regra tem uma exceção!

A Lei brasileira prevê em dois casos que o aborto pode ser praticado:

1 – Gravidez ocasionada por estupro;

2 – Gravidez onde a gestante corra risco de vida.

Mesmo diante de tais circunstâncias, a Instituição continua pregando o mandamento com “braço de ferro”. 

Nos últimos dias, o caso de abuso sexual praticado por um padrasto a sua enteada de apenas nove anos, provocando uma gravidez, tem movimentado autoridades e opinião pública de Pernambuco e de todo o país.

Após dado início ao cumprimento da Justiça, com a prisão do abusador, outra questão surge: e a vítima, além de todo trauma de uma infância perdida, encontra-se agora grávida (e de gêmeos), o que fazer?

Embasando-se no que diz a Lei brasileira (e não na de Deus, pregada pela Igreja), e diante da problemática envolvendo uma criança estar gestando outras duas, observa-se que o correto seria abortar os fetos, e foi isso que motivou a mãe da menina e os médicos recorrerem à prática (ocorrida na manhã do dia 04/03). Mas, eis que de imediato aparece a Igreja Católica representada pelo Arcebispo de Pernambuco dando uma declaração excomungando todas as pessoas envolvidas no aborto (com exceção da criança que foi vítima dos abusos sofridos desde os seis anos), sob a já citada alegação de que aborto é crime, é assassinato e que não há exceção no 5º mandamento.

Se considerássemos que os fatores biológicos que dificultam o parto de uma pessoa ainda não preparada para uma gestação (e ainda, esta provocada por abuso), viessem a provocar a morte da pernambucana, não optando pelo aborto, por simples critério de tal mandamento não prever exceção, também não seria um homicídio? Se por complicações ela não pudesse mais engravidar também não haveria descumprimento das Leis de Deus que diz para gerarmos filhos? 

Enfim, creio que em determinadas circunstâncias a Igreja deveria seguir o ditado de toda regra ter uma exceção

SinaldoLuna"

2 comentários:

É Sino, como sempre relevante suas postagens, essa em especial. Como sempre a Igreja...Pregando principios doutrinarios, dona da razão, travestida até do próprio Deus ( chegando a excomungar todo mundo que participou de um ato, onde aos olhos de todo ser vivente, foi feito o que deveria ser feito). Acho que o Arcebispo deveria dar uma olhada na penultima postagem do teu blog(kkk) ou se ele quiser uma coisa mais a fundo, comece olhando o que tem dentro da Igreja e a excomungar os que realmente cometem o sexto dos dez mandamentos...:]

È Sinaldo! è isso que a igreja católica pensa! Ela deveria excomugar o estrupador da criança, mas para a igreja o aborto ainda é mais grave que um estrupo. Eu fico indignada com uma pensamento desses, mas claro acho que eles não devem ter um caso de estrupo na familia, pra saber da tristeza que essa e muitas outras familias se sentem.