1 de nov de 2010

O Outro Lado

Era tarde. Lucas voltava da casa da namorada, na sua potente motocicleta, nem preciso dizer que ele chamava a atenção das garotas, com a motocicleta e os músculos, um legítimo Playboy.


Envolvido na adrenalina e na velocidade, ele entra com tudo numa curva à esquerda, os imensos faróis foram as últimas coisas que ele viu.

Abriu os olhos, ele não sabia onde estava, era um grande espaço, branco, limpíssimo. Sentou-se, ele estava sobre uma bela peça de mármore. Só então percebeu que havia um homem, de feições angelicais, olhos verdes, cabelos cacheados, loiros, algumas sardas.

- O que, o que aconteceu? Perguntou Lucas assustado. Ele estava nu.

- Você sofreu um acidente, e agora está aqui.
Lucas olhou seu corpo, estava muito machucado, mas não sentia dor.

- Eu, eu morri? Com os olhos quase cheios d'água.

- Agora você está em paz, eu serei seu guia, como um pai ou mãe, eu te ensinarei tudo nesta sua nova vida, não tenha medo, aqui você só encontrará a paz.

De alguma forma, Lucas estava feliz em ter morrido, sentia uma paz enorme vindo daquele ser.

- Se eu morri, por que eu continuo machucado?
O ser riu e respondeu: - Você ainda não escolheu que forma quer ter aqui nesse mundo, por isso está com a última forma que tinha; você pode ter a forma que quiser aqui, inclusive de animais.

Lucas se empolgou: - Sério? Posso ser um babuíno? Sempre quis ser um babuíno, desde aquele desenho... Como é o nome... Você não deve saber qual é mesmo. O rapaz pareceu não se surpreender.

- Aqui você é livre, ninguém te recriminará ou te julgará por nada, mas você tem que ser sincero em tudo, ou então...

O rapaz deixou a expressão calma, e ficou sério, Lucas teve medo.
– Ou então?

– Ou então eu deixarei de ser seu guia, e você terá de descer.
O loiro levantou a sobrancelha, Lucas sabia o que isso significava.

– Sempre serei sincero, juro.

– Aqui nós já sabemos tudo sobre você, mesmo assim precisamos testá-lo.

– Ok, ok!

– Você já foi desonesto com alguém? Começou o interrogatório.

– Já fui sim, o mais recente foi com minha namorada, eu a traí no carnaval.

O anjo (podemos chamá-lo assim) não esboçou repreensão, e de forma serena continuou:
- Última mentira...

– Disse ao meu pai que precisava de dinheiro para um livro na universidade.

– Experiência homossexual?

Lucas paralisou...
– Até isso vocês sabem?

– Responda. E riu graciosamente.

– É... Uma vez, eu e um amigo, curiosidade, você sabe... Mas eu sou homem, muito homem, deve ter isso ae na ficha, ou sei lá o que você tem meu.


O anjo já começava a próxima pergunta quando uma porta se abre.

Lucas ainda não havia notado a porta, e teve um susto quando ela se abriu, lá apareceu um homem também de branco, gordo, com uma barba mal feita, que foi logo gritando.

- Ah não Conrado! Ah não! Ficar usando minha sala pra pregar peças nesses adolescentes bêbados de novo não!

Conrado, o Anjo, caiu na risada.

Era a terceira vez, essa semana, que descobria um Playboy Viado.

PauloFilipe"

12 de out de 2010

2 Anos!

Dia 12 de Outubro de 2008...

Era postado aqui o primeiro texto. Ele abriu o blog fazendo uma apresentação dos conteúdos que viriam:

"Para início de conversa..."

Em seguida, textos dos mais variados assuntos foram sendo apresentados: Música, Cinema, Religião, Comportamento, Humor, Esportes...

Para relembrar os textos que mais foram acessados e geraram repercussão dentro e fora do mundo virtual, apresento o TOP 10 do segundo ano de existência do blog e logo em seguida será reapresentado os principais cliques dos primeiros 12 meses:

10 - Preta como Café - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/05/preta-como-cafe.html

9 - Oito Velas - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/04/oito-velas.html

8 - Sexta-feira 13 - http://sinaldoluna.blogspot.com/2009/11/sexta-feira-13.html

7 - E na Semana Santa... - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/04/sera-que-eu-sou-tao-velho-assim-semana.html

6 - Mentira é Quase Amor - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/02/metira-e-quase-amor.html

5 - O Símbolo Perdido - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/01/o-simbolo-perdido.html

4 - Não é só a gente que pensa... - http://sinaldoluna.blogspot.com/2009/12/o-brasil-le-mal.html

3 -AVATAR - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/01/avatar.html

2 - Top 10 Camisas de Futebol - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/01/top-10-camisas-de-futebol.html

1 - O Filho do Brasil - http://sinaldoluna.blogspot.com/2010/04/o-filho-do-brasil.html

Relembre os principais acessos na comemoração de 1 ano

10 - "No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai pra cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro"

9 - Coluna Religião

7 - "Relacionamento"

5 - "-POLÍTICA - Informação"

4 - "Cortem as cotas, garantam a integridade Constitucional"

3 - "Enxerga-te a ti mesmo!!!"

2 - "Em cima da hora..."

1- "Repórter Junino"

Muito obrigado a todos que contribuíram e continuam contribuindo para o crescimento do blog nessa trajetória de dois anos. Obrigado, obrigado, obrigado!!!

Que venha outro, outro, mais outro, mais outro e mais outros anos...

Mais uma vez, meu muito obrigado!

SinaldoLuna"

4 de out de 2010

Uma Prova de Amor... E de vício

“Uma Prova de Amor” além de ser palco de temática polêmica e dramática, traz belas atuações do elenco, desde o consagrado Alec Baldwin (O Aviador), como um advogado, Cameron Diaz (Vanilla Sky e Gangues de Nova York) no papel da mãe Sara até a garotinha Abigail Breslin, no papel de Anna, que já mostrou ser digna de um Oscar desde a sua performance em Pequena Miss Sunshine.

A trama dirigida por Nick Cassavetes (Alpha Dog) conta a história da menina Anna, que narra a maior parte do filme, ao entrar na justiça para requerer sua emancipação médica, já que mesmo com 11 anos de idade ela já havia sido submetida a inúmeras cirurgias, como para doação de medula, desde o seu nascimento, com o mesmo destino: tentar salvar sua irmã, Kate, diagnosticada com leucemia. Anna, na verdade, foi um projeto de seus pais para ajudar Kate. O filme embasa-se nos dramas de uma família que tem de lidar com uma filha adolescente leucêmica morrendo aos poucos, outra filha que mostra sentir-se como um mero objeto e, ainda, um filho que em meio a esses problemas parece ter tido pouca atenção da família e sofre de dislexia. É um melodrama que em certos pontos soa extremamente exagerado, mas que (só) consegue prender a atenção graças ao drama vivido pelas personagens. Quem não se solidarizaria com uma família nessa situação?

Prender-se na questão dramática da leucêmica é perder-se como o diretor, algo comum em suas obras. A questão maior do longa não é a situação de quem tem uma doença desde a infância e que mata aos poucos, mas sim a briga judicial pela liberdade de escolha dos usos que se faz do próprio corpo, mesmo que para isso a própria irmã saia prejudicada... Só o final, do filme, dirá!

Como toda a obra de Cassavetes, o longa foi feito pra chorar. Seja com um tom dramático de doença, amor e violência, o que importa no fim é chorar. Aos que consigam assisti-lo até o final e não desabar em lágrimas fica a certeza de que faltou algo mais estruturado, concreto e, Cassavetes continua com os vícios de sempre. É um filme para pessoas interessadas e dispostas a viverem fortes emoções. Trata de um tema ético. A atitude de Anna está certa ou errada? Acima de tudo, o longa é para quem sabe que família é mais do que grupo de pessoas que “por acaso” compartilham um mesmo código genético.


SinaldoLuna"

30 de set de 2010

PNDH-3

Falando em PNDH-3...

É bom assistir a esses vídeos. São depoimentos de jornalistas, juristas e religiosos acerca do Plano Nacional de Direitos Humanos - Versão 3. Trata-se um projeto proposto pelo Governo Federal, com seus Ministros, a ser implantado em nosso país, caso seja aprovado em nosso Congresso.

Há alguns dias a campanha da ex-ministra da Casa Civil, Dilma, tem sido demonizada, bombardeada de teorias da conspiração, acusando-a de satanismo. Algo digno de pena. Porém, tais teorias podem ter um embasamento concreto. Eis o PNDH-3. Não quero proliferar as teorias conspiratórias. Estamos diante de um plano concreto, que voltará a ser discutido a partir da nova administração, ano que vem. É um alerta para cobrarmos de nossos Deputados e Senadores a manutenção de nossos direitos e preservação da nossa democracia e da nossa Constituição.

Dilma, a favor desse plano, assim como os aliados governistas, que poderá ser a nossa futura líder, tem ao seu lado a maioria dos Deputados e Senadores. Conjuntura de fácil acesso à aplicação de seus ideais.

Excluindo-se alguns tons sensacionalistas dos vídeos abaixo, tire suas próprias conclusões dos riscos que nossa democracia corre e procure conhecer mais um pouco do assunto!

1 - http://www.youtube.com/watch?v=cFlyM2TAkwU
2 - http://www.youtube.com/watch?v=HhswjszBoiA&feature=related
3 - http://www.youtube.com/watch?v=QzjFOuelf9o&feature=related
4 - http://www.youtube.com/watch?v=9Dbf3UESQtI&feature=related
5 - http://www.youtube.com/watch?v=6PTK27n0jzs&feature=related
6 - http://www.youtube.com/watch?v=WEluI-JDR18&feature=related
7 - http://www.youtube.com/watch?v=TT4g8c8Sagg&feature=related
8 - http://www.youtube.com/watch?v=rK3ZB3h0uZA&feature=related
9 - http://www.youtube.com/watch?v=EQOco4oKAvk&feature=related
SinaldoLuna"

4 de mai de 2010

Preta como Café


Na padaria, que sempre servia de ponto de encontro matinal para aqueles sempre atrasados para o trabalho, dentre os costumeiros fregueses, havia uma senhora que era contraste. Ela não trabalhava, não tinha nenhum lugar para ir logo cedo, não havia ninguém que a deixasse lá, ninguém a conhecia (mas ela conhecia a todos), nem mesmo seu nome, mas sempre tomava o café na padaria, chegava antes de todos e sabia o nome de todos.

Muitas vezes quando Miguel, o funcionário que abria o estabelecimento, chegava as quatro e pouco da manhã, a senhora já apontava na esquina, vindo a lentos passos e cara carrancuda.

Sentada, pedia sempre:

- Café preto que nem você Miguel!
- Eu sou moreno. Miguel sempre respondia.
- Então é pra botar leite, incompetência!

Ela bebia devagar e logo vinha o resto da clientela:

- Ihh, a desgraça já chegou, não tem vergonha de salvar bandido e sentar aqui com gente de bem?

Ela sempre reclamava da presença do outro Miguel, o Advogado, que não se importava com os comentários ásperos da senhora.

- Eu já lhe expliquei, eu trabalho na vara da família.
- Como se alguém de família precisasse de Advogado, você salva é ladrão!


Junto com o Miguel de terno, vinha Makaro, Japonês, conhecido como o Rei dos eletrônicos na região, esse sim, detestava a velha, já tinha falado com o Seu Rodrigues muitas vezes sobre a tal senhora:
- Essa mulher não deixa ninguém comer em paz Seu Rodrigues, faça alguma coisa!

– Mas Makaro, você quer que eu proíba a entrada de uma idosa na minha padaria? Makaro não tinha outra padaria pra comer, não por perto.
- Esses “olho puxado” que vem tomar o emprego dos brasileiros, Castelo Branco não deixava isso acontecer, aquilo que era presidente! Sempre com a voz falhando, entre uma palavra e outra, mas mantinha o tom de reclamação.
- Me vê umas duas empadinhas dessas de frango com esse queijo postiço negrinho.
- É catupiry, catupiry!
Miguel não tinha mais paciência pra explicar.

A última da turma sempre era Mariana, talvez para evitar o Miguel Advogado, eles foram noivos, se conheceram ali mesmo na padaria.

-Bom dia. Mariana era sempre simpática.
-Bom dia, pobrezinha, deixa eu pagar o café pra você hoje? Eu te admiro Mariana, levou tanto chifre desse ajudante de ladrão, mesmo assim continua firme e forte.
- Não precisa pagar nada, dona. Eu posso pagar meu próprio café da manhã.
- Isso mesmo minha filha, mostre pra ele que você não precisa de homem nenhum!


Depois de distribuir toda sua simpatia, ela sempre se levantava, dava um beijo em Mariana, e saia, lentamente, e gritava sempre da porta:
-Dia 10 a gente acerta. negrinho. Você já sabe! Acenando.

- Graças a Deus essa velha foi embora!
Makaro era sempre o primeiro a agradecer pela saída dela.
-Ela é inconveniente, mas é só uma velha. Mariana diz enquanto bebe o café.
- Você diz isso, por que ela não pede “Um café preto como você”. Miguel imitando-a, tirando risadas de todos, até do Seu Rodrigues que chegava na hora.

Cada um tomou o seu destino naquele dia. No outro eles chegaram lá como sempre, mas a velha não estava lá, nem no segundo dia após aquilo. No terceiro dia Makaro tocou no assunto:
- Cadê a velha?
Todos negaram com a cabeça.

Dia 10, e nada dela aparecer. Seu Rodrigues mandou Miguel cobrar a dívida. Chegou à casa dela, era mais longe do que ele imaginava, terrenos baldios em volta, sentiu um mal cheiro ao chegar na porta, achou que era o terreno ao lado, a porta estava destrancada, entrou, e na sala, estava a velha, preta como o café, apodrecendo no sofá, com a TV ligada. Ligou para polícia, sentiu remorso, ninguém apareceu no velório. Eram só o ajudante de ladrão, o “olho puxado” e a pobre sofredora abraçada com o rapaz preto como café com leite.

...TALVEZ ISSO SEJA AMIZADE!

PauloFilipe"

11 de abr de 2010

O Filho do Brasil

Nascido em cidade do interior. Vida humilde. Lutou, venceu o preconceito. Conquistou uma Nação.


Não, não me refiro ao homem que Fábio Barreto levou às telas ao raiar de 2010, o
presidente Lula. Mas sim, ao maior médium que habitou as terras tupiniquins e que agora chega ao cinema nacional.


Chico Xavier
, de Daniel Filho, transcende os
limites de religiosidade, pondo em segundo plano o espiritismo e explorando primordialmente a figura humana do mineiro que ganhou o mundo levando mensagens de amor e caridade. Um homem que na infância sofreu a perda da mãe, maus tratos da madrinha, lutou para sobreviver e conviveu com a descrença. Um filme para todos os públicos, para todos os credos.


O longa tem como pano de fundo o programa Pinga-Fogo, onde o médium era questionado por jornalistas incrédulos que tentavam apontá-lo como fraude, mas as respostas por eles encontradas levavam ainda mais à mitificação daquele homem, e, a partir dele todo o filme se constroi repleto de flashbacks, tendo o ator Matheus Souza interpretando o médium na infância, Ângelo Antônio na juventude e Nelson Xavier na maturidade. Todos em belíssimas atuações, não deixando de lado, é claro, a grande semelhança física entre Chico e Nelson Xavier, agnóstico que mergulhou de corpo e alma no papel.


Outra grande sacada do filme foi mesclar drama e humor. Numa sessão lotada, diante desse encantador longa de fotografia esplêndida, música emocionante e roteiro simples e ao mesmo tempo profundo, é possível sentir a concretude que o silêncio toma nas cenas de drama e rir com todos quase que espalhafatosamente nas cenas cômicas. Cenas que não são meros inventos do roteirista e diretor, o próprio Chico aparece nos créditos finais narrando esses fatos.


O cinema nacional está diante de uma biografia sincera, sem melodrama, humana. Por todos esses ingredientes, por toda riqueza de produção (não apenas artística, mas também orçamentária - um dos filmes mais caros que o país produziu) Daniel Filho bate ele mesmo, antes recordista com Se Eu Fosse Você 2. Chico Xavier levou mais de 600 mil espectadores nos primeiros dias de exibição lotando salas no Brasil inteiro e deixando sem bilhete para as primeiras sessões as pessoas que deixaram para comprar de última hora.


Os números deixam no chão o filho do Brasil de Fábio Barreto, que levou pouco mais de 200 mil espectadores nos primeiros dias de exibição.

O novo filho do Brasil arrasta multidões como Chico fazia em vida, já o filme de Barreto não arrastou as multidões como no sindicato ou comícios. Consequência do filme ou do filho?

SinaldoLuna"

4 de abr de 2010

E na Semana Santa...

Será que eu sou tão velho assim?

A Semana Santa, na minha infância, era, sem dúvida, o período mais sério do ano. Um ar, talvez mórbido pairava sobre todos, era como se durante esse período, a alegria fosse embora. Pouco se podia fazer. Brincadeiras discretas. Peixe,
only!

Se ainda “sofri” com algumas dessas práticas, imagino todos aqueles que tiveram a infância nos anos 70/80. Ali as tradições eram mais rígidas. Além da proibição da carne, que ainda impera, que tal ficar sem tomar banho na quarta, na quinta, sendo liberado apenas na tarde da sexta, caso fosse para a procissão do Senhor Morto? Cortar cabelo? Claro que não! Também nada de limpeza na casa (isso é meio óbvio, se o próprio corpo era deixado às moscas, imaginem a casa e tudo dela...).

Mas eis que existia proibições boas: Não discutir com ninguém, não pegar em arma branca ou de fogo, nada de palavrões, nada de fumar nem beber. Todo sacrifício acabava à meia-noite do Sábado, o Sábado de Aleluia... Passado o risco de ficar “entrevado” na Quarta-Feira das Trevas, passada a Quinta e a Sexta da Paixão, um ar de alegria se aproximava, mas se algo acontecesse...

A mais incrível das crendices da Semana Santa... Ao término da missa na Sexta, logo após a procissão, os padres concentravam-se numa árdua tarefa: encontrar uma gota de sangue em uma página da Bíblia. Isso garantiria a felicidade da população, assegurada de que o mundo não acabaria naquele ano! Conta-se que às vezes, a gota era encontrada cedo, outras vezes, apenas ao amanhecer do sábado. O clima era tenso. Eis que fogos rasgavam o céu anunciando que a gota havia sido encontrada. Festa. O Sábado, aleluia, era alegria... Comida liberada, limpeza liberada. Até um doce, delícia, era bem vindo!

Pergunto-me como era possível aparecer uma gota de sangue na Bíblia de todos os padres e, o quão tenso era sair procurando, procurando...

Chegou Domingo... Páscoa. Comemorar a ressurreição de Cristo, de tabela, mais um ano sem o mundo acabar.

Não sei se há mais essa de procurar a gota, mas se houver, esperemos que os padres continuem encontrando-as, especialmente na Semana Santa de 2012!

SinaldoLuna"

27 de mar de 2010

Oito Velas

-Todo mundo pra mesa, vamos cantar os parabéns.
Era o aniversário de Clara, 8 anos, uma criança como outras... Todo mundo se juntou em torno da mesa, cantaram os parabéns, todos “animados” como nas festas infantis, as bocas salivavam enquanto se cantava, estava chegando a hora do bolo, mas ao terminar os parabéns e hora de apagar as velas... Clara estancou, e na tentativa de arranque interveio a mãe:
-Vamos minha filha, apague as velas, ta todo mundo esperando.
Disse a mãe cochichando no ouvido da menina, enquanto forçava um sorriso.
- Mas mãe, eu tenho que fazer um pedido né?

- Sim, minha filha, faça logo.

- Mas mãe, eu posso pedir o que eu quiser; qualquer coisa, eu não sei o que escolher.

- As pessoas estão esperando meu bem, peça logo.

A mãe vai perdendo a paciência.

- Mas mãe...

- Mas mãe nada, pede logo, não faz vergonha na frente da família.

Os convidados mal podiam esperar para comer o bolo, que era muito bonito por sinal.

- Mãe, eu não posso fazer isso assim, é muito importante!

- Isso não existe garota, assopra essas velas, adianta!

Clara fecha os olhos, fez o pedido. Na foto ficou registrada uma lágrima enquanto assoprava suas oito velinhas.
Muitos anos se passaram, Clara tornou-se uma mulher... E em um desses repentinos momentos nostálgicos de família, observavam as fotos do antigo aniversário:

- Olha o cabelo da tia Judite nessa foto.

Clara e a mãe riram, passaram a página do álbum.

- Olha você aqui filha, tão linda, como eu queria que você não crescesse... E tava chorando enquanto apagava as velas.

Ela sorriu largamente. Clara sorriu sem graça.

- Se lembra por que você chorava? Porque não sabia o que pedir, mas o que foi que você acabou pedindo mesmo?
Disse a mãe entre risos.
Clara sorriu novamente, agora parecia ter ficado um pouco mais feliz, ela se sentiu com oito anos de novo e depois ficou com uma expressão mais séria:

- O pedido na verdade acaba de se realizar.

A mãe fica surpresa com a resposta.

- E qual foi?
- Eu desejei que a senhora se importasse com meu desejo.
- Quando a gente é criança faz cada coisa né?
E riu novamente, a conversa para ela estava muito divertida.
- Eu me precipitei mamãe, mas uma coisa é verdade, quando a gente conta, o pedido não se realiza.
Não só de comédia vive o cotidiano!
PauloFilipe"

20 de mar de 2010

Literatura na Internet

As bibliotecas sempre me fascinaram. Ainda não consigo descrever completamente a sensação. Só sei que é incrível. E sei também que pensar literatura na internet não me causa a mesma impressão (não que seja algo negativo, mas é diferente).

Mas algo inegável é que a diversidade de sites, blogs e portais sobre literatura é assustadora. Algo que me surpreende é a quantidade de autorias equivocadas. Já perdi a conta dos textos atribuídos a Shakespeare, Drummond, Pessoa e Quintana que não pertencem a eles. Mas isso não deve ser desanimador, e sim um incentivo para buscarmos formas de selecionar os conteúdos confiáveis, não só em literatura.


Não encontrei ainda uma fórmula 100% eficaz para identificar quais são as informações mais confiáveis que circulam na internet. O que sei é que algumas dicas ajudam muito, como comparar as informações em mais de uma fonte. Com o tempo vamos adquirindo alguns critérios de seleção.


Então, tenho algumas dicas de sites:

Jornal de Poesia, “muito mais de não sei quantos mil poetas, contistas e críticos de literatura”; Releituras, diversos textos de escritores nacionais e estrangeiros, biografias etc.; Domínio Público, biblioteca digital com e-books de obras clássicas e modernas de autores nacionais e estrangeiros, pesquisa de teses e dissertações, etc.; Portal Literal; Orelha do Livro, e os sites sobre jornalismo cultural The New Yorker e Digestivo Cultural.

Graduada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba e graduanda em Comunicação Social/Jornalismo também pela UEPB.Traz, desde já, para nosso espaço um pouco de literatura no campo da informática.

13 de mar de 2010

Vendo como Caetano


 Vivemos em uma sociedade de Juízes, onde a razão parece ser a qualidade mais bem distribuída, já que todos a possuem. Mas não é sobre isso que venho falar esta semana, já que esse é um assunto muito chato e eu sou um cara legal.
  Existe uma figura que com um simples adjetivo Reinventou a perspectiva de muitos observadores do cotidiano, como eu, estamos falando do inventor do “tudo é lindo”, Caetano Veloso, e com os olhos Dele veremos a real beleza do que nos cerca.
  Imaginem só uma terra onde todos se amassem sem diferença de Sexo, Credo, Cor, classe social ou até mesmo nível de sobriedade, e tudo isso ao mesmo tempo. Uma orgia pode ser uma utopia, isto é lindo.
 Agora vejam quão belo é abrir mão de alguém para que outras pessoas possam desfrutar da presença, do carinho e atenção dela. Um fora pode ser Altruísta.
  Existe também a terra da beleza e amizade, em que depoimentos são feitos sem uma ação judicial, e sem juramento, pois acreditem, todos se amam. Existem também comunidades povoadíssimas que não formam escolas de samba e não são indígenas. O Orkut é a vila virtual dos Smurfs.
  Abrir a possibilidade de mudança na vida de alguém que a muito estava infeliz com sua função neste planeta. A demissão pode te tornar feliz. 
  Existe também uma ocasião em que todos os amigos e família de alguém se reunissem para dizer o quanto ama aquele parente e/ou amigo com lágrimas e muita emoção pedindo perdão pelos erros cometidos. Pena que no seu velório você não poderá respondê-los.
  E o melhor de tudo é a época do ano em que pessoas com procedência e higiene duvidosa espalham saliva e outros fluídos corporais em multidões cantando músicas sem semântica e ou lógica aparente, com claras referências a coisa alguma desta dimensão. Eu juro que tentei deixar o carnaval da Bahia lindo.
 Abrace você também esta bela forma de viver.
PauloFilipe"

4 de mar de 2010

Ontem à Noite

Ontem à noite olhei para o céu e pude, depois de muito tempo, reobservar suas nuances. Pude ver bem mais que astros.  

Nunca havia me atentado para o quão intensamente brilham as estrelas. Pude rever a lua e imaginar sua capacidade de espectar, impassível, inúmeras histórias de amor (com finais trágicos ou felizes), acontecimentos históricos. Tentei recriar a quantidade de sonhos que ela embalou, sejam de reis ou dos mais simples plebeus.

Ontem à noite, ao olhar para o céu, revi fisionomias há tanto esquecidas no baú do passado. Incrível como elas repentinamente, fizeram-se presentes, reais, quase palpáveis. Revi sorrisos e choros, vi-me então.

Ontem à noite, quando olhei para o céu, pude caminhar por entre histórias e lendas, ambas pavimentadas com paralelos de sonhos. Vi desenhos em nuvens, vi recados implícitos, ou teriam sido, explícitos? Vi a vastidão do universo e personifiquei-me como tal, infinito...

Ontem à noite olhei para o céu e constatei que a saudade estava do meu lado, sussurrando teu nome em meu ouvido, fazendo-me lembrar que tua ausência provoca frio, dor, lágrimas.

Ontem à noite olhei para o céu...

O Preceptor

25 de fev de 2010

Gosto de Cigarras


Enquanto isso, na praça das cigarras...

-Posso sentar ao seu lado? Chega um homem meio acanhado.
-Claro.
-Você gosta das cigarras daqui?
-Que tipo de pergunta é essa? Diz ela rindo.
-Não sei ao certo, só estou puxando assunto.
-Você sempre puxa assunto com desconhecidas é?
- Só com as que permitem que eu sente ao lado delas.

Ela sorri novamente...
- Tenho que admitir que você me pegou nessa.

-Você gosta das cigarras daqui?

Fazendo-a rir ainda mais.

-Mas que fixação nessas cigarras. Que te importa?
-Custa responder a pergunta?
-Você é estranho!
-Você é medrosa!
- Eu acho elas um saco! Gritam aqui o dia todo, não deixam ninguém em paz. Responde perdendo a paciência.
- Eu acho lindo.
- O que tem de lindo nessas cigarras Caetano Veloso? Ironiza.
-Sabe, elas passam 31 anos debaixo da terra, na umidade, no escuro, se alimentando dos restos, e quando finalmente estão maduras, vêem a luz, escolhem um par, e acasalam por dois dias, até morrer. O casamento perfeito.
- Discordo de você, um casamento deve durar por toda a vida, deve haver respeito, companheirismo, não só acasalamento.
- Casamento, acasalamento... Acho que não é só coincidência. E posso te provar que estou certo.
-Você realmente me assusta!
-Quero dois dias.
- Ei, que liberdade é essa? “me dá dois dias”. Você não ta na padaria comprando pão não.
- Talvez o sonho. Diz ele logo em seguida, no estilo Wando de atacar.
- Cantada de pedreiro?
- De padeiro.

Ela definitivamente estava atraída por aquele estranho, com uma proposta indecente, que ela aceitou, durante aqueles dois dias ela sumiu, e no final do segundo dia foi a vez dele. Sumiu como se nunca tivesse existido, ela voltou a sua vida normal mas a lembrança do rapaz da praça não lhe saiu da memória... Voltando para casa do trabalho, mais de um ano depois, enquanto passava pela praça, viu uma silhueta familiar, aproximando-se não resistiu a tentação e fez a pergunta que havia ensaiado em seus sonhos:
-Gosta das cigarras daqui?

-Sabe que depois que elas morrem de tanto acasalar, algumas ressuscitam depois de um ano e procuram a companheira, pra você sabe... Acasalar por uma vida toda.
-Isso eu duvido muito.
-Já vi que eu tenho que te provar tudo.
PauloFilipe"

16 de fev de 2010

Ingratidão

Traição por palavras,

Traição por gestos,

Traição por atos.


Açoita-me com teus desmandos como se eu fosse um desvalido

Transforma minha esperança em chagas sem cura

Transforma minhas palavras em lamentos

Converte-a em murmúrios de dor


Dor desumana, que não degrada meu corpo,

Mas sim, minha alma e com ela minha esperança de imortalidade

Vai, tu podes, torna impossível minha felicidade

Dilacera meus anseios com a insensatez das tuas atitudes incautas

Rasga o sentimento que te dei e joga-o a sorte do sinédrio


Vai, tu podes, me mostra que amar é impossível

E que meus sonhos são apenas manchas da minha imaginação

Vai, tu podes, apresenta-me à solidão para que eu possa me tornar vezeiro a ela

E na vastidão dessa possa ab-rogar o meu amor por ti

Vai, tu podes, sê ingrata!
O Preceptor

8 de fev de 2010

Mentira é quase Amor!


- Você está há 2 horas atrasado pro jantar!
(ela não vai querer saber que eu jantei com a secretária) - Eu tive um contratempo na empresa, você sabe, tive que fazer hora extra. - Eu liguei pra empresa e a faxineira disse que você saiu mais cedo. Não tem vergonha de mentir? - Não, não tenho! - Agora você vai ser tão cara de pau assim? - Eu só minto por que te amo! - Ahahahahahahahhahahaha - Pareço estar brincando? - Estranhamente... Não! - Você não ia querer, na verdade, nenhuma mulher iria querer um homem sincero. - Acho que essa é a UTOPIA de toda mulher, vocês não passam de animais mentirosos! - Vamos fazer um acordo? - Qual, seu imbecil? Ahrrg como eu to com ódio de você, e ainda nem me disse onde estava. - A partir de hoje serei um homem sincero, mas você tem que me prometer que não haverá divórcio. - Que coisa mais infantil, além de mentirosos, são infantis. Mas tudo bem, negócio feito. E toda aquela sinceridade começa... No shopping: - Pra onde você estava olhando? Diz franzindo a testa. - Pra bunda daquela loira, meu deus, o que é aquilo? Na padaria: - Você ta tão calado hoje, o que aconteceu...? - Eu vi a Ritinha, sabe aquela minha ex? Eu fiquei nostálgico lembrando as nossas transas... Antes do almoço de domingo na casa dos Pais: - Como estou? - Você está ótima, mas não achei que sua bunda cairia tanto quando nos casamos, de qualquer modo, coloque uma roupa mais composta, vamos visitar meus pais. Depois do sexo: - Você estava delicioso hoje. - Você também meu amor, mas a Ritinha... Ou saudade daquelas coxas. - Não aguento mais viver assim! - Nem eu. - Mas você que propôs essa idiotice, eu tenho vontade de te matar a cada resposta! - Você deveria agradecer ao marido que tem todos os dias, isso sim. - Agradecer? Você ainda pensa na lambisgoia da Ritinha. - Mas é você que eu amo, oras. É pra você que eu minto! - E isso é prova de amor agora, é? Seu cachorro! - Claro que sim! - Claro que não! - Tudo o que eu digo, é pensado minuciosamente pra te fazer feliz, todas as desculpas, invenções e omissões, eu só quero te ver bem. - História pra boi dormir. - E ele ta dormindo não tá? Você sempre foi feliz, não entendo a reclamação. - Éééé que... - Você me ama. - Não deveria! - Tá bom né, não somos mais adolescentes, deixa de frescura que já já o jogo começa. - Ei, pode parar com a sinceridade. - Desculpe, é o costume. - Prefiro o meu grande contador de lorotas... - Eu sempre soube! - E por que me fez toda essa tortura? Agora diz sorrindo, como não fazia há muito tempo. - Você que não sabia. Agora ela não se importa tanto com as mentiras dele, afinal, ela sabe, as pequenas mentiras são declarações de amor.

PauloFilipe"