27 de mar de 2010

Oito Velas

-Todo mundo pra mesa, vamos cantar os parabéns.
Era o aniversário de Clara, 8 anos, uma criança como outras... Todo mundo se juntou em torno da mesa, cantaram os parabéns, todos “animados” como nas festas infantis, as bocas salivavam enquanto se cantava, estava chegando a hora do bolo, mas ao terminar os parabéns e hora de apagar as velas... Clara estancou, e na tentativa de arranque interveio a mãe:
-Vamos minha filha, apague as velas, ta todo mundo esperando.
Disse a mãe cochichando no ouvido da menina, enquanto forçava um sorriso.
- Mas mãe, eu tenho que fazer um pedido né?

- Sim, minha filha, faça logo.

- Mas mãe, eu posso pedir o que eu quiser; qualquer coisa, eu não sei o que escolher.

- As pessoas estão esperando meu bem, peça logo.

A mãe vai perdendo a paciência.

- Mas mãe...

- Mas mãe nada, pede logo, não faz vergonha na frente da família.

Os convidados mal podiam esperar para comer o bolo, que era muito bonito por sinal.

- Mãe, eu não posso fazer isso assim, é muito importante!

- Isso não existe garota, assopra essas velas, adianta!

Clara fecha os olhos, fez o pedido. Na foto ficou registrada uma lágrima enquanto assoprava suas oito velinhas.
Muitos anos se passaram, Clara tornou-se uma mulher... E em um desses repentinos momentos nostálgicos de família, observavam as fotos do antigo aniversário:

- Olha o cabelo da tia Judite nessa foto.

Clara e a mãe riram, passaram a página do álbum.

- Olha você aqui filha, tão linda, como eu queria que você não crescesse... E tava chorando enquanto apagava as velas.

Ela sorriu largamente. Clara sorriu sem graça.

- Se lembra por que você chorava? Porque não sabia o que pedir, mas o que foi que você acabou pedindo mesmo?
Disse a mãe entre risos.
Clara sorriu novamente, agora parecia ter ficado um pouco mais feliz, ela se sentiu com oito anos de novo e depois ficou com uma expressão mais séria:

- O pedido na verdade acaba de se realizar.

A mãe fica surpresa com a resposta.

- E qual foi?
- Eu desejei que a senhora se importasse com meu desejo.
- Quando a gente é criança faz cada coisa né?
E riu novamente, a conversa para ela estava muito divertida.
- Eu me precipitei mamãe, mas uma coisa é verdade, quando a gente conta, o pedido não se realiza.
Não só de comédia vive o cotidiano!
PauloFilipe"

20 de mar de 2010

Literatura na Internet

As bibliotecas sempre me fascinaram. Ainda não consigo descrever completamente a sensação. Só sei que é incrível. E sei também que pensar literatura na internet não me causa a mesma impressão (não que seja algo negativo, mas é diferente).

Mas algo inegável é que a diversidade de sites, blogs e portais sobre literatura é assustadora. Algo que me surpreende é a quantidade de autorias equivocadas. Já perdi a conta dos textos atribuídos a Shakespeare, Drummond, Pessoa e Quintana que não pertencem a eles. Mas isso não deve ser desanimador, e sim um incentivo para buscarmos formas de selecionar os conteúdos confiáveis, não só em literatura.


Não encontrei ainda uma fórmula 100% eficaz para identificar quais são as informações mais confiáveis que circulam na internet. O que sei é que algumas dicas ajudam muito, como comparar as informações em mais de uma fonte. Com o tempo vamos adquirindo alguns critérios de seleção.


Então, tenho algumas dicas de sites:

Jornal de Poesia, “muito mais de não sei quantos mil poetas, contistas e críticos de literatura”; Releituras, diversos textos de escritores nacionais e estrangeiros, biografias etc.; Domínio Público, biblioteca digital com e-books de obras clássicas e modernas de autores nacionais e estrangeiros, pesquisa de teses e dissertações, etc.; Portal Literal; Orelha do Livro, e os sites sobre jornalismo cultural The New Yorker e Digestivo Cultural.

Graduada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba e graduanda em Comunicação Social/Jornalismo também pela UEPB.Traz, desde já, para nosso espaço um pouco de literatura no campo da informática.

13 de mar de 2010

Vendo como Caetano


 Vivemos em uma sociedade de Juízes, onde a razão parece ser a qualidade mais bem distribuída, já que todos a possuem. Mas não é sobre isso que venho falar esta semana, já que esse é um assunto muito chato e eu sou um cara legal.
  Existe uma figura que com um simples adjetivo Reinventou a perspectiva de muitos observadores do cotidiano, como eu, estamos falando do inventor do “tudo é lindo”, Caetano Veloso, e com os olhos Dele veremos a real beleza do que nos cerca.
  Imaginem só uma terra onde todos se amassem sem diferença de Sexo, Credo, Cor, classe social ou até mesmo nível de sobriedade, e tudo isso ao mesmo tempo. Uma orgia pode ser uma utopia, isto é lindo.
 Agora vejam quão belo é abrir mão de alguém para que outras pessoas possam desfrutar da presença, do carinho e atenção dela. Um fora pode ser Altruísta.
  Existe também a terra da beleza e amizade, em que depoimentos são feitos sem uma ação judicial, e sem juramento, pois acreditem, todos se amam. Existem também comunidades povoadíssimas que não formam escolas de samba e não são indígenas. O Orkut é a vila virtual dos Smurfs.
  Abrir a possibilidade de mudança na vida de alguém que a muito estava infeliz com sua função neste planeta. A demissão pode te tornar feliz. 
  Existe também uma ocasião em que todos os amigos e família de alguém se reunissem para dizer o quanto ama aquele parente e/ou amigo com lágrimas e muita emoção pedindo perdão pelos erros cometidos. Pena que no seu velório você não poderá respondê-los.
  E o melhor de tudo é a época do ano em que pessoas com procedência e higiene duvidosa espalham saliva e outros fluídos corporais em multidões cantando músicas sem semântica e ou lógica aparente, com claras referências a coisa alguma desta dimensão. Eu juro que tentei deixar o carnaval da Bahia lindo.
 Abrace você também esta bela forma de viver.
PauloFilipe"

4 de mar de 2010

Ontem à Noite

Ontem à noite olhei para o céu e pude, depois de muito tempo, reobservar suas nuances. Pude ver bem mais que astros.  

Nunca havia me atentado para o quão intensamente brilham as estrelas. Pude rever a lua e imaginar sua capacidade de espectar, impassível, inúmeras histórias de amor (com finais trágicos ou felizes), acontecimentos históricos. Tentei recriar a quantidade de sonhos que ela embalou, sejam de reis ou dos mais simples plebeus.

Ontem à noite, ao olhar para o céu, revi fisionomias há tanto esquecidas no baú do passado. Incrível como elas repentinamente, fizeram-se presentes, reais, quase palpáveis. Revi sorrisos e choros, vi-me então.

Ontem à noite, quando olhei para o céu, pude caminhar por entre histórias e lendas, ambas pavimentadas com paralelos de sonhos. Vi desenhos em nuvens, vi recados implícitos, ou teriam sido, explícitos? Vi a vastidão do universo e personifiquei-me como tal, infinito...

Ontem à noite olhei para o céu e constatei que a saudade estava do meu lado, sussurrando teu nome em meu ouvido, fazendo-me lembrar que tua ausência provoca frio, dor, lágrimas.

Ontem à noite olhei para o céu...

O Preceptor