21 de mai de 2012

Só enquanto eu respirar...

 Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem vindo ao Teatro Mágico...


O Teatro Mágico fez show único em Campina Grande no dia 11

À primeira vista, um grupo de músicos vestidos de palhaços, fazendo números circenses, recitando poesia e misturando ritmos, pode parecer muito bobo. 

No entanto, coisa mais linda se existe, não vi. Divido com vocês agora o que vi e vivi há semana, quando pude sentir a força que emana das músicas e apresentações d’O Teatro Mágico.

Vi uma trupe que não decepcionou as quase duas mil pessoas que foram vê-los. Mesclando as musicas do novo trabalho a “Sociedade do Espetáculo” com as já conhecidas e amadas por seus fãs, e levando-os ao delírio.

Vi um monstro de garras gigantescas tentando roubar a nossa paz durante a música “Amanhã... Será?” e o público levantando bolas brancas, crendo que, sim, “amanhecerá de novo em nós”, um tempo de paz.  Vi bailarina voando de saudade em meio a Quermesse.Vi malabarista brincar com fogo e cuspir fogo em nossa direção.  

E ouvi... Ouvi músicas de letras lindas, que nos motivam a fazer a diferença nesse mundo. “Milagres acontecem quando a gente corre atrás”, “ Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que  diz”, “mas tudo fica sustentado pela fé, na verdade ninguém sabe o que é”.

Ri das muitas graças que nossos músicos palhaços faziam enquanto nos prendiam a atenção por inteiro. Gargalhei quando Anitelli cantou o Funk do Japa.  Fiquei séria ao ouví-lo defendendo a “música livre”, fazendo crítica de gente grande à corrupção e pregando a arte livre ao alcance de todos. 

Senti que era parte da Trupe no momento em que Fernando e toda trupe disseram: “E agora com vocês... Vocês!” E um campestre repleto de vozes diversas cantou em alto e bom som: “Só enquanto eu respirar vou me lembrar de vocês, só enquanto eu respirar...”

Senti calor. Calor por toda aquela gente tão perto e calor humano quando estranhos me abraçavam chorando, porque entendíamos o que estávamos sentindo ali. A arte nas suas muitas faces: Circo, Teatro, Poesia e Música, nos mostrando o que o ser humano é capaz de fazer e quanto é capaz de emocionar.

Juliana Lira e Fernando Anitelli
Por fim, fiquei extasiada quando Anitelli pediu que calmamente sentássemos no chão e cantássemos junto a ele. Transformando um show, em que todos pulavam enlouquecidos e gritavam, em um luau. Vozes e violão... Cantamos realejo.

No fim, já rouca, cansada, com os pés doendo. Entendi que o que tínhamos compartilhado ali, era algo tão simples e ao mesmo tempo tão mágico que fizemos uma prece silenciosa para que logo se repetisse. Para que fossemos “bobos” todos os dias e que esse amontoado de gestos, linguagens, sons e lirismo nos preenchessem a vida.  Pois como disse Friedrich Nietzsche a arte existe para que a realidade não nos destrua”.


P.S: Sem mencionar a saga que foi pintar o rosto de palhaço. Sair ligando pra todos os hotéis de Campina Grande até descobrir onde a trupe estava hospedada e na recepção do hotel mais caro da cidade,falar com o recepcionista como se estivesse de cara lavada, para conseguir as fotos e os autógrafos sonhados, mas isso já é outra história...


Juliana Lira

Pulso Firme

Hoje não é mais uma barreira para eles, mas para conquistarem seu espaço na dança, dois estudantes de balé clássico falam que é preciso ter uma atitude firme diante do preconceito aos homens que se dedicam à arte vista como feminina.



Excelente opção para quem precisa perder peso, mas não gosta das atividades físicas como corrida, musculação e quer desenvolver a coordenação motora, musicalidade, expressão corporal e equilíbrio, sem dúvida, dançar é uma ótima opção.  

Muitas vezes a dança é usada como terapia e com o tempo é possível notar que os benefícios vão muito além do bem-estar físico, já que é uma atividade extremamente prazerosa, proporciona o desenvolvimento do equilíbrio, da autoconfiança, além do combate ao estresse. 

Ao começar a dar os primeiros passos de dança, a pessoa se desprende dos tabus, medos e preconceitos e aos poucos percebe a sua vida se transformar. É uma atividade física para todas as pessoas e não existe nenhuma restrição de idade e nem de qualquer outro tipo. Não existe um impedimento, já que os passos podem ser sempre adaptados às limitações físicas de cada um. 

Até aí tudo bem. Estamos falando dos benefícios da dança para o corpo e para a mente, em especial o balé clássico. Mas em algum momento passou pela nossa cabeça que para um homem que queira dançar balé as coisas não são tão bonitas quanto aparentam? 

Mas se os homens ganharam destaque logo no início do balé clássico, por que hoje existe tanto preconceito com os adeptos da arte de saltar e girar com musicalidade e classe? Quem nunca ouviu falar que um dançarino de balé já sofreu algum tipo de preconceito por deixar as “chuteiras de lado e aderir às sapatilhas”?  

O preconceito aos homens na dança infelizmente ainda é um assunto que permeia em nossa sociedade um tanto machista.  Talvez, por ter o título de “país do futebol”, ver homens dançando balé ainda causa aquela cara de espanto, ou então nem causa mais, já se torna taxativo: “é, ele deve ser homossexual”. Mas o que tem a ver a sexualidade com a vocação ou a escolha de um hobby ou profissão? Não seria a mesma coisa de dizer que futebol é só para homens?  

Em entrevista, os estudantes de balé clássico, André Leite e Erickson Canuto, do Studio de Dança Fernanda Barreto, falam sobre a escolha pela dança e como lidam com a questão do preconceito. 


Porque vocês começaram a fazer balé?  Vocês tiveram alguma influência por parte da família e/ou amigos

André Leite: Eu não fui influenciado por ninguém. Sempre admirei e quis fazer.  Eu sempre dancei. Antes eu dançava street dance, coreografia, mas sempre admirei o balé pela disciplina e elegância. Há quatro anos, senti  o desejo de fazer balé, mas não surgiu oportunidade. Mas aí há mais ou menos nove meses eu conheci o Studio Fernanda Barreto através de uma amiga e desde então eu pratico. 

Erickson Canuto: Eu nunca tive influência de ninguém, mas sempre dancei em grupos de coreografia, sou artista circense, faço acrobacias de solo, malabarismo, clown, trapézio, tecido aéreo, entre outros. Nunca procurei o balé, mas conheci André e ele me falou do Studio. Demorei dois meses ainda para decidir por entrar porque eu dava aulas de teatro no SESC Campina Grande. Mas acabei entrando e estou a dois meses estudando. 


Vocês sofrem ou já sofreram algum tipo de preconceito por serem homens e dançar balé? Como vocês encaram esse assunto?  Existe mesmo esse preconceito?

EC: Falar de preconceito nesse aspecto é muito amplo. Amigos, família, namorada, todos se tornam preconceituosos. Minha mãe não deu nenhum apoio. O preconceito com homem no balé é intenso, assim como para a mulher que faz street dance, por exemplo.  Antes não tinha esse preconceito. O balé na verdade, originou-se com homens. Mas com o passar do tempo foi sendo dominado por mulheres. Sempre existe, em qualquer profissão, o heterossexual e o homossexual.  O que acontece é a generalização disso: “se um é homossexual, todos são”.  O balé não é feminino nem masculino, é uma dança que pode ser estudada por qualquer um. Não deve existir o preconceito porque para se formar um conceito é necessário ter vivência ou experiência em alguma teoria comum à base sólida, e o preconceito é exatamente o oposto, é um conceito sem fundamento.  Quando a gente encara esses questionamentos de frente, a positividade do balé vai se construindo, as pessoas vão assimilando a ideia. Já levei amigos a pensarem em fazer balé. 

AL: Eu sofri muito preconceito no início, tanto por parte da família quanto dos amigos. Antes de fazer balé, eu fazia jiu-jitsu. Quando saí para dançar, os caras simplesmente começaram a me recriminar. Me chamaram de gay, porque não conseguem ter a mente aberta... Um cara é heterossexual se faz jiu-jítsu, mas se passa a fazer balé vira homo? Fiquei muito chateado com meus amigos, algumas vezes perdi a paciência, mas com o tempo, notei que era infantilidade deles, e por isso comecei a me impor e parei de me lastimar. Recebi muito apoio das minhas colegas bailarinas também, porque no começo só havia eu de homem na turma.  Gosto de fazer o contrário do que dizem que é certo. Não vou pela maioria. Se eu gosto e vejo que não tem nada de ruim, então eu faço. Hoje as pessoas apoiam, porque consegui impor respeito. Coloco fotos do grupo nas redes sociais, antes de sair de casa, twitto: “indo para o balé”!...(risos) e me orgulho de dizer que sou heterossexual e faço balé. Não faço escondido de ninguém. Mas também há o outro lado do preconceito: se o homem entra no balé, ele tá lá para “pegar mulher”. Parece que nunca se entra pela paixão da obra. De uma forma ou de outra, você nunca vai agradar a todos. O preconceito é até mesmo uma questão cultural. Por exemplo, em Joinville é comum você fazer balé e o público se interessar em assistir a uma apresentação. Já aqui, uma pessoa não quer dar dez reais por uma apresentação de balé, mas gasta trinta reais num show de forró. 


Qual a importância do balé na sua vida? 

AL: Eu já dancei muita coisa. Não comparo nada ao balé. Realmente me identifiquei. É o que quero para mim. Amo balé e estar lá dançando é tudo para mim... Quero fazer até não poder mais. Quando eu coloco o breu na sapatilha e entro no Studio, é maravilhoso. Baryshnikov disse que toda vez que ele dançava não queria superar a ninguém e sim a si próprio. Não é assim na dinâmica dos esportes. Você compete para ser melhor do que os outros. No balé, eu luto comigo mesmo, tento me superar a cada dia. Eu não sei se um dia vou me tornar um profissional, mas vou lutar para isso.  Trago o balé para minha vida porque eu aprendo disciplina, determinação, concentração, comprometimento.  É necessário tudo isso para atingir a perfeição que o balé exige. 

EC: A importância do balé para mim vem carregada pela atmosfera circense. Hoje eu não tenho o objetivo de me tornar profissional... Mas, como dizia o dramaturgo Augusto Boal: “tudo o que você fizer, faça para ser o melhor”. Tudo o que você faz te torna mais digno. O balé serve até como tratamento para um problema de coluna que tenho. Quando penso na importância do balé, imagino a base de uma casa que sustenta toda a estrutura. O balé serve como base para melhorar minha arte circense.  A dança ajuda em tudo.  “Dançar é viver, então viva dançando!”.  


Renata Duarte

8 de mai de 2012

Vivendo Do Ócio

A banda baiana Vivendo Do Ócio fez sua primeira apresentação em Campina Grande no último dia 29, no Pub 10 - antigo Bronx Bar. Aproveitamos e fomos falar com esses caras que tocam muito e onde passam fortalecem o trabalho com muita música de qualidade. Falamos com Jájá Cardoso - o roqueiro que sabe dançar forró (vocal e guitarra), Luca Bori (baixo e vocal) o atencioso e Dieguito Reis- o mais falante- (baterista). 

Skarllety Fernandes e a banda
Em um verdadeiro bate papo descontraído, indagamos como foi para eles, ontem estarem tocando apenas como uma banda de amigos e hoje estarem fazendo disto seu trabalho.  Todos eles sempre estiveram em contato com a música, em diferentes bandas e quando se juntaram para formar a VDO, à proporção que ela ganhou pegou todos integrantes de surpresa, como destacaram Jájá e o Dieguito. “A partir de 2009, encaramos com um ritmo de trabalho e isso fez que todos largassem tudo e fossem viver da música.”

O primeiro CD da banda “Nem sempre tão normal”, que lançou os meninos para o mundo - diga-se de passagem, que o público de Campina Grande sabe todas as faixas, o que impressionou Dieguito no final do show - é diferente do “Pensamento é um ímã”, álbum recente, onde mostra o amadurecimento e união ainda maior do grupo.

Jájá e Dieguito: “Com a mudança para São Paulo, passamos a morar juntos, isso altera no processo de composição e quando lançamos o primeiro cd a nossa cabeça era outra e com o tempo vamos amadurecendo. É natural que nossas músicas passem por isso”.

E em relação ao processo de composição das músicas os meninos disseram que hoje eles possuem a tática de separar ideias.

Jájá: “Às vezes tenho a ideia, anoto e deixo em um lugar, falo com um dos meninos, eles já pensam na melodia, dão sugestões nas letras, complementam e quando temos tempo, em conjunto, formamos a música”.

Dieguito acrescenta que nesta nova forma de divulgar músicas em internet, eles sofrem pressão. É a demanda por clipes, músicas, informações que chegam uma hora que eles se apressam pra compor. Ele nos confessou que o grupo já está pensando em seu novo cd.

Foto: Divulgação
Em três anos, a banda possui seis clipes e nesta “Tour do Sol VDO 2012”, eles estão registrando tudo com sua câmera pessoal para uma produção de um documentário de suas passagens. Para essas imagens, teremos Jájá, que no começo da entrevista dançou forró comigo e ainda acrescentou: “Nem todo roqueiro é robô!”, brinca o músico.

Recentemente, eles fizeram um show com a banda Os Mamelungos, de Recife, em São Paulo, que, como eles, são nordestinos e trazem influências regionais em suas músicas. A VDO nos contou que no primeiro cd eles tinham medo de por essa regionalidade em suas músicas por não saber se iria ser bom pra a banda, se as pessoas iriam gostar. Mas neste segundo CD está explicito as suas raízes que vem do sotaque da voz e as músicas. Dieguito nos especifica lembrando as faixas “O mais clichê” e “Nostalgia”, que mostram claramente o que sempre existiu em suas músicas.

Entrar em um mundo fonográfico, onde passam a ter visibilidade nacional e internacional com a parceria de uma gravadora, às vezes faz com que as bandas percam sua identidade, mas de acordo com o Luca, “Depende muito da gravadora e da banda. Nós não sentimos isso quando entramos na gravadora. Ela sempre nos deixou muito livre para trabalharmos e o nosso produtor também”.  Dieguito complementa, “A banda não é só a música... É a banda. Então, para que se passe a mensagem que ela pretende, ela tem que viver e ser ela, independente da gravadora”

Conversar sobre música com quem a faz é satisfatório e foi quando conhecemos as influências nacionais da VDO, que escutam de tudo um pouco e muita coisa, fica impossível listar todas as referências que eles contaram, mas Raul Seixas, Novos Baianos, Nação Zumbi, Lirinha, Ponto de Equilíbrio, Legião e os gostos individuais como, por exemplo, do Jájá que curte muito ouvir Bossa nova e Samba fazem parte desse menu. Percebemos que os meninos não brincam com o trabalho! Dieguito nos confessou que quando estavam vindo para a Paraíba ouviram muito Luiz Gonzaga.



Skarllety Fernandes

6 de mai de 2012

Séries de Livros

Na reestreia dessa sessão sobre literatura, temos algumas novidades!


Primeiro, queremos saber: quais livros vocês gostariam de ler resenhas aqui no blog? A nossa ideia é publicar semanalmente resenhas de livros indicados pelos leitores. A ordem de publicação dependeria de alguns fatores: 1- livros que a equipe do blog já tenha lido; 2- livros disponíveis em Campina Grande ou João Pessoa; 3- Tempo de entrega das lojas virtuais; 4- O tempo de leitura, nosso objetivo é que seja o mais rápido possível.

A outra novidade é que estamos planejando complementar o espaço sobre literatura com o sorteio de livros. O regulamente será publicado em breve!

E antes de fechar essa publicação, queremos pensar um pouco sobre esse fenômeno das sagas literárias. Estamos cientes que não é algo novo. A forma seriada de literatura existe lá da época dos folhetins (e até antes disso), em que alguns autores publicavam suas histórias divididas em partes nos jornais, revistas, etc. Mas não podemos negar que ultimamente esses livros estampam as prateleiras das livrarias e figuram nas listas dos mais vendidos. Dessa forma, pensamos em fazer um breve brevíssimo panorama das sagas que lemos ou já conhecemos as histórias. E esperamos começar a publicar as resenhas muito em breve.

Mas qual é o critério para classificar livros em série? Continuação da história? E se tivermos os mesmos personagens, mas com um enredo novo? Resolvemos considerar tudo isso!

Um dos grandes sucessos da atualidade, do escritor George R. R. Martin, Crônicas de Gelo e Fogo, já teve cinco livros publicados mundialmente e quatro no Brasil: A Guerra dos Tronos, A Fúria dos Reis e A tormenta de espadas e O Festim dos Corvos. Também podemos acompanhar a versão para TV da HBO, ganhadora de prêmios como Emmy e Globo de Ouro.

Sobre a temática dos vampiros, algumas com lobisomens e outros seres sobrenaturais, uma das séries mais conhecidas tem como um dos personagens principais Lestat de Lioncourt. Trata-se das Crônicas Vampirescas da escritora norte-americana Anne Rice, Entrevista com o Vampiro, primeiro livro da série, foi lançado no Brasil em 1994.

De alguma forma, a história de Edward e Bella invadiu as nossas vidas, seja pela leitura dos livros, os filmes ou o bombardeio da mídia nesses últimos anos. A série Crepúsculo,de Stephenie Meyer, conta com cinco livros publicados. Outras séries no universo vampiresco: particularmente, gostamos mais Sookie Stackhouse, Os Diários do Vampiro, A Irmandade da Adaga Negra.
                                   
Em As Brumas de Avalon, temos as histórias dos personagens do ciclo arturiano, Lancelot, Guinevere, Morgana, Merlin, Rei Arthur, contada a partir do ponto de vista das mulheres. A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei, O Prisioneiro da Árvore são os livros que compõem essa saga da escritora Marion Zimmer Bradley.

Há que diga que a saga Fallen, Lauren Kate, é a versão com anjos de Crepúsculo. Se isso é positivo ou negativo, depende de cada um. Mas não podemos julgar tanto assim sem ler, não é mesmo? O que sabemos é que existem muitas críticas positivas e que o primeiro livro da série figurou entre os best-sellers da lista do The New York Times.

Percy Jackson & Os Olimpianos, já ouviram falar? Quem não acha interessante as lendas da mitologia grega?  Os deuses, semideuses, heróis que já fizeram parte de vários livros da literatura universal agora estão presentes numa nova versão escrita por Rick Riordan que juntou esses personagens mitológicos, ambientados no século XXI, com jovens heróis contemporâneos.

Um dos personagens mais conhecidos da literatura mundial, Sherlock Holmes, apareceu pela primeira vez no livro Um Estudo Em Vermelho de Conan Doyle, no final do século XIX. Além de quatro romances, o personagem ainda aparece em mais de 50 contos. Sobre as versões para outras mídias, Sherlock Holmes é recorrente em filmes, quadrinhos, desenhos e, recentemente, em uma série de TV da BBC, chamada Sherlock.

Mais algumas séries de livros (títulos das versões publicadas no Brasil):

Os Sete, André Vianco
A Torre Negra, Stephen King
O Círculo Secreto, L.J. Smith
As Crônicas de Nárnia, C.S. Lewis
As Crônicas do Rei Artur, Bernard Cornwell
A Busca do Graal, Bernard Cornwell
Crônicas Saxônicas, Bernard Cornwell
O Diário da Princesa, Meg Cabot
Desventuras em Série, Lemony Snicket
A Espada da Verdade, Terry Goodkind
Gossip Girl, Cecily von Ziegesar
Harry Potter, J. K. Rowling
Os Heróis do Olimpo, Rick Riordan
Hercule Poirot, Agatha Christie
It Girl, Cecily von Ziegesar
Os Imortais, Alyson Noël
Jogos Vorazes, Suzanne Collins
Millennium, Stieg Larsson
O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien



Kislana Rodrigues

3 de mai de 2012

TV and the Sexy Channels

Qual a configuração do cenário rock em Campina Grande? O que pensa uma banda que faz parte desse meio?*

Entrevistamos os membros da banda Tv and the Sexy Channels para saber sobre a trajetória do grupo, influências, planos para o futuro e, claro, o que pensam sobre o lugar do rock em Campina Grande. A formação atual é composta por Kamila Tavares, vocalista, Guilherme Nery na Guitarra, Ícaro Truta, baixista, e TV na bateria.



Breve histórico da banda 

A Tv and the Sexy Channels surgiu a partir da formação da banda All Junkies. De acordo com os integrantes, a principal mudança é a proposta musical. Agora a banda será essencialmente autoral, com um repertório feito em sua maioria pelas nossas composições e complementando com alguns clássicos do rock, nos afirma Kamila Tavares e cita como exemplo a música Ace of Spades, de Motorhead.

A escolha dos ritmos das músicas é diversificada. Liberdade na hora de compor é fundamental. Temos música com uma pegada mais crua, clássica, outras meio indies, estamos trabalhando num blues e por ai vai. O fator comum entre as músicas é que em sua maioria são dançantes, com letras sobre o famoso "rock star way of life", sexo, drogas e rock n' roll.

Cada pessoa dentro de uma banda é um mundo de influências. E com a Tv and the Sexy Channels não poderia ser diferente. Citam como inspirações bandas clássicas, como Motorhead, AC/DC, Black Sabbath, Nirvana, Pink Floyd, Beatles e outras contemporâneas, Red Hot Chilli Pepers, Arctic Monkeys e The Strokes.


Principais locais de shows. Quais os espaços em Campina voltados ao público roqueiro e alternativo?

Quando a banda era All Junkies, a gente praticamente só tocava no antigo Bronx Bar, que hoje em dia é Pub10. Começamos a tocar muito no Vitrola Bar também, o público lá é insano. Adoramos tocar em ambos os locais, que na verdade são os dois espaços voltados ao rock aqui em Campina e que mais dão abertura e liberdade às bandas locais. Tocamos também no palco do rock na Nova Consciência, que foi montado no viaduto por dois anos seguidos, na festa anual de Design, que por sinal foi muito boa, mas a maioria dos shows ocorre no atual Pub10 ou no Vitrola Bar.


Há resistência em ser uma banda de rock numa cidade conhecida por fazer um dos maiores eventos de forró do planeta?

Hoje em dia acho que a resistência é bem menor, visto o espaço que já for galgado, claro que toda cena tem suas dificuldades e aqui não é diferente. As bandas daqui (claro que isso não vale para o mês de junho) não perdem público para os eventos voltados ao forró porque as propostas são diferentes, o público é outro e também não perdemos espaço porque cada um tem seu local para tocar, claro que se houvesse uma diversidade maior de bares de rock seria bem mais legal, mas levando em consideração o porte da cidade, tem espaço pra todo mundo tocar de boa.


Quais os períodos do ano em que há maior busca pelo rock em Campina Grande?

Os períodos de volta às aulas, com certeza, são os mais movimentados, não só para o rock, mas para todos os outros estilos. É quando a cidade começa a pipocar de shows e festas por todo canto. Os estudantes (principalmente os universitários) voltam de suas cidades e todo mundo chega procurando diversão! Em março, fizemos shows em todos os finais de semana do mês.


No período junino... Como é atuação do núcleo roqueiro na cidade? Em meios aos turistas, há grupos que vem para eventos de rock e alternativo?

O período junino é parado para qualquer outro estilo musical que não seja o forró! Os bares e boates da cidade fecham as portas, em sua maioria, e tudo acontece no Parque do Povo, então todas as tribos acabam se juntando por lá (claro que depois de uma semana ninguém aguenta mais escutar forró), mas, mesmo assim, vai todo mundo. É lá que tudo acontece e todo mundo se reúne. Ano passado, o Bronx Bar abriu no dia 10 de junho (eu lembro porque foi meu aniversário) para um show da Classic Radio, mas o público foi mínimo, só os meus amigos e alguns convidados. As atenções todas se voltam para o Parque do Povo.


Como é o cenário musical em Campina Grande hoje em dia? O movimento alternativo e roqueiro tem se propagado mais?

Esse ponto é delicado. Depois de um tempo tocando, eu aprendi a relativizar essas coisas, essa história da cena vai depender muito do ponto de vista do pessoal, cada um tem sua opinião, o que todos têm em comum são as reclamações (todo mundo gosta muito de reclamar, o que não é muito a minha). É o pessoal do coletivo que reclama dos bares que reclama do público que reclama das bandas que reclama dos bares que reclama dos coletivos entende?!?! Mas no final das contas, tudo acaba se movimentando (é a força do rock n' roll). A minha opinião de quem toca e ao mesmo tempo fica ali de plateia é que o pessoal deveria se "mafiar" menos entende?! A cena só anda quando as bandas se ajudam, falta companheirismo entre o pessoal que toca aqui e falta coragem para dar oportunidade às coisas. Gente que reclama que tá tudo a mesma coisa e quando muda reclama porque do jeito antigo era melhor... É muita acomodação, rivalidade besta. E, se mesmo com isso tudo, a cidade ainda movimenta um público legal, os bares colocam as bandas pra tocar todo final de semana e tem banda de fora que adora de coração tocar aqui em Campina (vide a Gandharva, banda muito boa de Recife), imagine o quão melhor seria se o pessoal tivesse mais companheirismo?!


Há eventos voltados a esses estilos? Há alguma forma de incentivo do poder público municipal e/ou estadual a esses eventos?

Incentivo público para essas coisas não existe! Se existe é muito restrito e isso não chega ao conhecimento geral das bandas, principalmente as que estão começando trabalho autoral. A prefeitura promove o "Rock na consciência" todo ano no período do carnaval, as bandas locais abrem o evento, mas ainda falta organização! O palco é maravilhoso de se tocar, mas não rola cachê para as bandas pequenas (só pras atrações principais). O que eu acho um desrespeito com quem produz arte seja ela de qual estilo for. O SESC tem umas propostas legais, como o evento 7 notas, o festival Overdoze (que nós ganhamos ano passado) mas falta um festival de maior porte, promovido por uma prefeitura ou governo estadual, que desse visibilidade as bandas locais com um trabalho autoral, o potencial da galera é grande, tem público certo para um evento desses, mas isso acaba ficando esquecido!


De onde veio o interesse por cantar clássicos do rock internacional e a influência de bandas como Nirvana, Pink Floyd?

Acho que esse interesse vem da infância, né?! Acho que isso é comum a todos da banda, pelo menos eu, quando era pequena, fazia a vassoura de guitarra, subia em cima da cama com uma escova fazendo de microfone e tentava cantar igual. Depois você cresce, vai arranhando ali um inglês aos poucos, tomando gosto pela coisa, aprende a tocar um ou mais instrumentos e começa naturalmente a correr atrás da galera que queira a mesma coisa que você. Tive a sorte de encontrar os meninos que compartilham da mesma insanidade mental que eu, e hoje a gente usa essa inspiração dos clássicos pra compor e fazer nosso próprio som!


Como é um show da TV and the Sexy Channels? Como é formado o público que busca pelos shows da banda?

Um show da TV é DOIDO! Subimos no palco para tocar o que gostamos e nos divertir, deixar o público bêbado e dançando. Plateia apática não é a nossa. O público que nos procura é justamente a galera que gosta de diversão, que não quer sair de casa pra ficar morgado! Que sai com os amigos para literalmente pular até cair. E pra rir muito também, porque todo show tem um "prezepe" diferente e uma surpresa no repertório, então pode esperar banda fantasiada, striptease no palco, participações especiais, gostamos de movimentação no palco! Isso não pode faltar!


E o que vem por aí?!

A banda passou um tempo parada, passou por mudança de nome e de formação então por enquanto estamos sem agenda! O plano é gravar nosso primeiro EP e voltar aos palcos depois do período junino, lá pra Julho-Agosto.



Kislana Rodrigues e Sinaldo Luna



*Entrevista para matéria do projeto Repórter Universitário